Teorias da Cultura de Massa

Blog do curso de Teorias da Cultura de Massa do curso de Graduação em Historia da UFF. Sextas, das 14h as 18h.

sábado, 30 de outubro de 2010

Proximas leituras

Pessoal,

houve algumas mudanças no curso, portanto sigam esta nova diretriz para as leituras, até novas mudanças...
A aula do dia 12 vai rolar mesmo! Houve uma mudança: a professora Simone Sa nao podera vir no dia 26, como combinado, logo ela virah no dia 19! Jogamos os textos de Sibilia e Sarlo para o dia 26!
Peço ao pessoal que ainda nao apresentou proposta de trabaho que se mobilize e faça-o logo!
dia 03/12 é o limite (obvio) para apresentaçao dos problemas a serem abordados no trabalho final
Dia 10/12: limite para entrega dos trabalhos finais
Dia 17/12: limite para as criticas aos trabalhos postados no blog

lembrem-se: a nota final é dividida por essas três atividades!

seguem as datas!

06/11 - Lipovetsky

12/11 - Baudrillard

19/11 - Texto da professora Simone Pereira: Second Life e Stars Wars Galaxies: encenando o jogo da vida na (ciber)cultura do entretenimento (enviado por email ou disponivel aqui: http://www.4shared.com/document/XgkkShd1/Star_Wars_e_Second_Life_-_Simo.html)

26/11 - Sarlo/Paula Sibilia

03/12 - Maffesolli/Jenkins

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Riso e comédia - bibliografia

Recebi este email do Felipe sobre textos na net acerca do riso e da comédia e resolvi dividir com todos:

Boa Noite Gustavo,

Estava procurando na internet sobre a questão do riso e achei alguns artigos interessantes.

http://www.assis.unesp.br/revpsico/index.php/revista/article/viewFile/88/186

esse 1° faz uma análise de um episódio do South Park e de como ele desconstroi um clichê. Acho que seria até interessante por no blog da turma, levando a discussão da aula para a internet.

http://www.posgrap.ufs.br/periodicos/revista_forum_identidades/revistas/ARQ_FORUM_IND_5/DOSSIE_FORUM5_03.pdf

esse artigo faz uma análise de como a comédia era usado como uma forma de a população afrontar o poder, mas se foca principalmente na antiguidade.


http://www.fafich.ufmg.br/ecomig/wp-content/uploads/2009/08/GOMES_Leonardo_Texto.pdf

nesse 3° ele vai utilizar o "Pânico na TV" para falar do humor como representação social. Ele também usa o Minois para isso, fazendo um resumo bem rápido do livro que você falou

http://www.jornaldocampus.usp.br/index.php/2010/09/o-riso-continua-sendo-a-arma-dos-impotentes-diz-professor-da-fflch/

eu também consegui achar um entrevista de um professor do departamento de história da USP q lançou um livro sobre o riso, é bom que da uma visão histórica do fato já que os outros ( os 2 primeiros são formados em linguistícas e o ultimo em comunicação) são de outras áreas.

O bom tbm é q com esses artigos eu consegui dar uma expandida na minha busca por bibliografia, agora já tenho uma ideia melhor onde procurar

abrçs
Luís Fellipe

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Turistas e vagabundos

Pessoal,

uma amiga minha escreveu um texto bem legal sobre o filme "Amor sem escalas" e o texto "Turistas e Vagabundos" do Bauman.

TURISTAS NO AR, VAGABUNDOS NA
TERRA. Uma breve análise do filme “Amor
sem escalas” à luz da metáfora dos “turistas e
vagabundos” de Zygmunt Bauman.

Por Priscila Azeredo

http://www.cambiassu.ufma.br/priscila.pdf

Minhas questões: "Amor sem Escalas" e Bauman

Texto enviado a autora em 05/10/2010

Priscilinha,

li seu texto!
seu discurso no texto é muito parecido com o tom dos historiadores! ahahhahahaaha
vc renega a história em toda a sua fala ao vivo, mas no texto ainda estas muito proxima deles! ahahah Deles! ahaha
será que seu problema com a história não era muito mais uma questão de objeto do que de opções teóricas?
gostei do texto. até porque diz muito sobre os tempos atuais, é preciso, na veia.

me lembro que das primeiras vezes que vc falou do tema dos turistas parecia mais empolgada com os beneficios do turismo ahahah!
lembro de vc falando de fazer pesquisa de campo mochilando...
dei, e dou, total apoio a esta possibilidade.

em relação ao texto gostei muito destas partes:

"Antes, na modernidade, o tempo era bem
estruturado. O passado era uma referência sólida e o presente era organizado de modo a
desenhar um futuro. Havia uma crença no “projeto de vida”, mesmo que compartilhada de
forma inconsciente. No entanto, com a pós-modernidade, essa crença foi se diluindo. Hoje o
que se participa é que não é possível confiar nos esforços de uma vida para alcançar os efeitos
desejados no tempo e no espaço futuro."

"É uma modalidade de comercialização e consumo da afeição humana
(URRY, 2001:100). O “turista” tem a sensação ilusória de estar no “controle”, como se o seu
desejo fosse suficiente para escolher com que, quando, onde e com quem interfacear no
mundo (BAUMAN, 1998:115). O que talvez ele não perceba é que isso também é uma
“crença”, exatamente como a crença na “segurança” que a “antiga” concepção de “projeto de
vida” almejava."


A partir desta utima citação lembrei bem o que achei do filme quando acabei de vê-lo. Não gostei do final, embora o tenha amado desde o começo, porque achei o final tão moralista quanto o é o personagem principal. Sua fé é tão fé quanto é a fé da "antiga" sociedade, de segurança. O Giddens fala de como a invenção da familia é uma resposta ao espaço público onde tudo se "desmancha NO AR".
Mas achei o filme tão moralista quanto o personagem principal. No final fica no ar um tom de crítica ao estilo de vida do turista, e um ar de "viu, quem mandou ser fdp" que não concordo. Talvez porque eu seja um pouco turista, mas acho que não se trata disso especificamente. O que eu não gosto é a idéia de que o turista deve ser moralizado, enquadrado, normalizado, pela sociedade dos mediocres, os vagabundos. O próprio Bauman vê nos turistas e vagabundos uma metafora da condição atual, sendo que nenhum dos dois polarizadamente tem razão! Os dois são vitimas, e esta condição não é uma escolha, segundo o proprio Bauman.
Achei o filme moralista, e nisso aquele final de que te falei contribui e muito. Acho que haveria formas de se falar de um personagem fdp sem ser fdp com ele. E acho que um tom normalizador, que diz "como a vida deveria ser", acaba fazendo isso! Por isso gostei tanto da segunda citação, embora não ache que ela seja a linha mestra do seu artigo. O mundo "antigo" também não dava conta das aspirações de parte da humanidade. Era enquadrador, criou "corpos dóceis",nas palavras de Foucault. Não estou dizendo que todos devamos virar turistas, até porque isso, segundo o Bauman, é impossivel. mas penso que a crítica ao turista é ingenua se ficar lastreada na lógica normalizadora.

Minha interpretação do filme viu outras coisas. Quando vi seu artigo me chamou a atenção que a relação que ele teve com aquela executiva passou quase despercebido. Claro, o Bauman não fala disso, mas aí é caso de chutarmos o Bauman para escanteio, não? Se não caimos numa prática muito comum na historia que é colocar teóricos embaixo do braço e olhar tudo em função deles e nada mais além. Por isso me chocou um pouco seu descompromisso com aquela relação, fundamental para o roteiro do filme.

Quando vi o filme, me pareceu que ele quis largar aquela vida de turista, chegou a conclusão de que aquela vida era uma crença tanto quanto a "estabilidade antiga". E que poderia trocar... Se apoiou na executiva. Mas aí o que o chocou foi o fato de ela conseguir viver em dois mundo que para ele, e para o Bauman, eram opostos, turistas e vagabundos. O personagem da executiva me parece ser justamente o instante da existencia que o Bauman tem dificuldade de ver: ela é o paradoxo, é a incongruente, é os dois ao mesmo tempo, não cabe na analise. Adoro o Bauman, mas esse filme me colocou questões para além dele. Então o George Cloney tentou sair do turismo e foi confrontado com essa lógica dupla e ambigua do mundo, onde os discursos de resistencia parecem se desfazer e soarem ingenuos. Essa dimensão não pode ser ignorada, pois é justamente a fronteira onde tem que ser pensado o mundo atual... enfatizar os discursos de resistencia, como faz o Bauman e o Milton Santos, embora tenha seu quê de validade, e estou com eles, parecem, no meu intimo, um pouco ingênuos...

É preciso “uma mutação filosófica do homem,
capaz de atribuir um novo sentido à existência de cada pessoa e, também, do planeta”
(SANTOS, 2004:174). As técnicas, os objetos técnicos, a política e a economia devem estar
em conformidade com a nossa humanidade, e não o inverso (SANTOS, 2008).


Fazer outro mundo parece, especialmente em Santos, apelar para o discurso da "inversão", ou seja, a idéia de que o mundo está de ponta cabeça, torto, de cabeça pra baixo. Me incomoda esta idéia. Ele quer dizer onde a economia tem que estar, mas justamente este discurso de onde as coisas "têm que estar" é que se esfacelou com o turista. O turista não é um anômalo, mas ele quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Claro que isto tem implicações deletérias, não nego, mas ele não ignora os espaços, apenas os vive compulsivamente. O discurso da inversão parece querer dizer qual é o lugar de cada um novamente... isso me incomoda. Isso a Igreja, o feudalismo e o capitalismo já fizeram muito bem! De normalizadores o mundo está cheio e me parece que por isso esses discursos não mais penetram em lugar nenhum... a normalização saiu de evidencia, é verdade, mas se tornou senso-comum, se tornou moeda comum, sem nenhum valor. Trocar o turista pelo não turista não traz uma sociedade mais igual, afinal a lógica do capitalismo anterior convivia muito bem sem os turistas e mantendo niveis de desigualdade. Como irmos além do turista? Me parece que a resposta normalizadora vai aprisionar a existencia. É como falar que em vez de termos Orkut, facebook e twiiter deveriamos escolher apenas UM para expressar nossa individualidade como se fazia na época das cartas do século XIX! ahahhaaha

bom, essas são analises que andei pensando a partir de nossas conversas,
QUERO RESPOSTA HEIN!
bjao

gustavo

Resposta da Priscila às minhas questões:

Quanto ao meu artigo, finalmente você entendeu o que eu disse! O meu problema nunca foi a disciplina História, mas QUEM e o TIPO de história que é feito na UFF... Minha reclamação sempre foi (lembre só!): "Aquele pessoal da História é muito mofado! Não teria espaço lá!" E é fato! Alguém estuda consumo lá? Alguém (além de você e dos profs. outsiders) pensa o mundo depois da redemocratização? QUEM, lá da História, daria a cara a tapa para fazer a análise de um filme, tirando os "vagabundos" do ICHF (“vagabundo” de acordo com a metáfora do Bauman)??? QUEM??? Putz, Gustavo, ainda bem que finalmente você entendeu a minha angústia!!!

Bom, "psicografo" uma defesa para a minha resenha...

"Quando vi seu artigo me chamou a atenção que a relação que ele teve com aquela executiva passou quase despercebido. Claro, o Bauman não fala disso, mas aí é caso de chutarmos o Bauman para escanteio, não? Se não caímos numa prática muito comum na historia que é colocar teóricos embaixo do braço e olhar tudo em função deles e nada mais além. Por isso me chocou um pouco seu descompromisso com aquela relação, fundamental para o roteiro do filme. "



Sim, a questão da Alex é importante, mas já não sei se é "fundamental"... Pra mim fundamental era o conjunto (alex+natalie+desempregado+família) e isso eu contemplei. Central, no meu humilde ponto de vista, se me permite, é a discussão do estilo de vida desse homem... É engraçado perceber como certas questões tocam mais ou menos fundo nas pessoas e isso acaba influenciando na análise. É aí que vemos a tal "subjetividade" do autor agindo... Quando eu pedi para os meus alunos fazerem uma resenha sobre o filme, cada um focou no que mais tocou fundo. Nenhum trabalho foi igual ao outro apesar do filme e da bibliografia ser a mesma... Se a questão da Alex te incomodou (tanto pela falta no meu texto, quanto pela existência dessa personagem no filme) é porque existe algo na sua subjetividade que te leva a focar mais nessa questão. Sim, concordo com você, a questão da Alex é pertinente. Sim, ela também me incomodou. Mas o tema "opção de vida" do Mr. Bingham me incomodou muito mais, e Alex era apenas uma das peças que se encaixa nesse tema... Optei por falar das relações de Bingham num conjunto.

"O personagem da executiva me parece ser justamente o instante da existência que o Bauman tem dificuldade de ver: ela é o paradoxo, é a incongruente, é os dois ao mesmo tempo, não cabe na analise."


Não vejo Alex possuindo os dois estilos de vida, pois concordo com o Bauman quando ele diz que a "casa" é só mais um ponto na "escala". Quando ela se sente fatigada, ela parte. Tá lembrado que depois ela telefona para o Bingham dizendo que eles podem continuar se encontrando, mas num compromisso sem compromisso??? Isso é ser turista. Ser turista é querer a MOBILIDADE. O direito de poder escolher só o que interesse e descartar o que incomoda, entende?


Outra questão: gosto do final do filme com Mr. Bingham escolhendo o lugar a esmo e voando... Ele tentou seguir o "projeto de vida" da modernidade e não deu certo, mas ele também percebeu que o seu estilo de vida "turístico" não é tão maravilhoso quanto ele pensava... De turista para vagabundo é um pulo... Eu acho triste o final porque ele mostra que nem o "projeto de vida" nem o estilo "turístico" são ideais e por não ter uma resposta pra esse dilema, ele simplesmente continua voando porque "as suas próprias incertezas em contraponto a vida do “vagabundo” o faz acreditar que “não há nenhuma alternativa” (BAUMAN, 1998:119)".

É uma posição conformista de qualquer jeito. Ele poderia tentar outra coisa sem ser o "projeto de vida" ou a "viagem". Mas o que seria????

Tesouro, o que eu concluo do filme é: ninguém vive sem ideologia. Ninguém vive sem tentar achar um modelo de vida no mundo. Aliás, essa é uma das grandes diferenças entre os homens e os animais. Queremos sempre ser algo para além do que somos. O cachorro é cachorro. E ele se contenta em ser cachorro. Nós nunca estamos satisfeitos de sermos apenas homens, queremos ser viajantes, turistas, modernos, pós-modernos...


Pode disponibilizar o link da minha resenha no blog, apesar de não falar da Alex como você gostaria... rs =D

ME RESPONDE A PARADA DA AULA!

Beijocas!
Priscila

Turistas e vagabundos

Pessoal,

uma amiga minha escreveu um texto bem legal sobre o filme "Amor sem escalas" e o texto "Turistas e Vagabundos" do Bauman.

TURISTAS NO AR, VAGABUNDOS NA
TERRA. Uma breve análise do filme “Amor
sem escalas” à luz da metáfora dos “turistas e
vagabundos” de Zygmunt Bauman.


Por Priscila Azeredo
link do texto:
http://www.cambiassu.ufma.br/priscila.pdf