Texto enviado a autora em 05/10/2010
Priscilinha,
li seu texto!
seu discurso no texto é muito parecido com o tom dos historiadores! ahahhahahaaha
vc renega a história em toda a sua fala ao vivo, mas no texto ainda estas muito proxima deles! ahahah Deles! ahaha
será que seu problema com a história não era muito mais uma questão de objeto do que de opções teóricas?
gostei do texto. até porque diz muito sobre os tempos atuais, é preciso, na veia.
me lembro que das primeiras vezes que vc falou do tema dos turistas parecia mais empolgada com os beneficios do turismo ahahah!
lembro de vc falando de fazer pesquisa de campo mochilando...
dei, e dou, total apoio a esta possibilidade.
em relação ao texto gostei muito destas partes:
"Antes, na modernidade, o tempo era bem
estruturado. O passado era uma referência sólida e o presente era organizado de modo a
desenhar um futuro. Havia uma crença no “projeto de vida”, mesmo que compartilhada de
forma inconsciente. No entanto, com a pós-modernidade, essa crença foi se diluindo. Hoje o
que se participa é que não é possível confiar nos esforços de uma vida para alcançar os efeitos
desejados no tempo e no espaço futuro."
"É uma modalidade de comercialização e consumo da afeição humana
(URRY, 2001:100). O “turista” tem a sensação ilusória de estar no “controle”, como se o seu
desejo fosse suficiente para escolher com que, quando, onde e com quem interfacear no
mundo (BAUMAN, 1998:115). O que talvez ele não perceba é que isso também é uma
“crença”, exatamente como a crença na “segurança” que a “antiga” concepção de “projeto de
vida” almejava."A partir desta utima citação lembrei bem o que achei do filme quando acabei de vê-lo. Não gostei do final, embora o tenha amado desde o começo, porque achei o final tão moralista quanto o é o personagem principal. Sua fé é tão fé quanto é a fé da "antiga" sociedade, de segurança. O Giddens fala de como a invenção da familia é uma resposta ao espaço público onde tudo se "desmancha NO AR".
Mas achei o filme tão moralista quanto o personagem principal. No final fica no ar um tom de crítica ao estilo de vida do turista, e um ar de "viu, quem mandou ser fdp" que não concordo. Talvez porque eu seja um pouco turista, mas acho que não se trata disso especificamente. O que eu não gosto é a idéia de que o turista deve ser moralizado, enquadrado, normalizado, pela sociedade dos mediocres, os vagabundos. O próprio Bauman vê nos turistas e vagabundos uma metafora da condição atual, sendo que nenhum dos dois polarizadamente tem razão! Os dois são vitimas, e esta condição não é uma escolha, segundo o proprio Bauman.
Achei o filme moralista, e nisso aquele final de que te falei contribui e muito. Acho que haveria formas de se falar de um personagem fdp sem ser fdp com ele. E acho que um tom normalizador, que diz "como a vida deveria ser", acaba fazendo isso! Por isso gostei tanto da segunda citação, embora não ache que ela seja a linha mestra do seu artigo. O mundo "antigo" também não dava conta das aspirações de parte da humanidade. Era enquadrador, criou "corpos dóceis",nas palavras de Foucault. Não estou dizendo que todos devamos virar turistas, até porque isso, segundo o Bauman, é impossivel. mas penso que a crítica ao turista é ingenua se ficar lastreada na lógica normalizadora.
Minha interpretação do filme viu outras coisas. Quando vi seu artigo me chamou a atenção que a relação que ele teve com aquela executiva passou quase despercebido. Claro, o Bauman não fala disso, mas aí é caso de chutarmos o Bauman para escanteio, não? Se não caimos numa prática muito comum na historia que é colocar teóricos embaixo do braço e olhar tudo em função deles e nada mais além. Por isso me chocou um pouco seu descompromisso com aquela relação, fundamental para o roteiro do filme.
Quando vi o filme, me pareceu que ele quis largar aquela vida de turista, chegou a conclusão de que aquela vida era uma crença tanto quanto a "estabilidade antiga". E que poderia trocar... Se apoiou na executiva. Mas aí o que o chocou foi o fato de ela conseguir viver em dois mundo que para ele, e para o Bauman, eram opostos, turistas e vagabundos. O personagem da executiva me parece ser justamente o instante da existencia que o Bauman tem dificuldade de ver: ela é o paradoxo, é a incongruente, é os dois ao mesmo tempo, não cabe na analise. Adoro o Bauman, mas esse filme me colocou questões para além dele. Então o George Cloney tentou sair do turismo e foi confrontado com essa lógica dupla e ambigua do mundo, onde os discursos de resistencia parecem se desfazer e soarem ingenuos. Essa dimensão não pode ser ignorada, pois é justamente a fronteira onde tem que ser pensado o mundo atual... enfatizar os discursos de resistencia, como faz o Bauman e o Milton Santos, embora tenha seu quê de validade, e estou com eles, parecem, no meu intimo, um pouco ingênuos...
É preciso “uma mutação filosófica do homem,
capaz de atribuir um novo sentido à existência de cada pessoa e, também, do planeta”
(SANTOS, 2004:174). As técnicas, os objetos técnicos, a política e a economia devem estar
em conformidade com a nossa humanidade, e não o inverso (SANTOS, 2008).Fazer outro mundo parece, especialmente em Santos, apelar para o discurso da "inversão", ou seja, a idéia de que o mundo está de ponta cabeça, torto, de cabeça pra baixo. Me incomoda esta idéia. Ele quer dizer onde a economia tem que estar, mas justamente este discurso de onde as coisas "têm que estar" é que se esfacelou com o turista. O turista não é um anômalo, mas ele quer estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Claro que isto tem implicações deletérias, não nego, mas ele não ignora os espaços, apenas os vive compulsivamente. O discurso da inversão parece querer dizer qual é o lugar de cada um novamente... isso me incomoda. Isso a Igreja, o feudalismo e o capitalismo já fizeram muito bem! De normalizadores o mundo está cheio e me parece que por isso esses discursos não mais penetram em lugar nenhum... a normalização saiu de evidencia, é verdade, mas se tornou senso-comum, se tornou moeda comum, sem nenhum valor. Trocar o turista pelo não turista não traz uma sociedade mais igual, afinal a lógica do capitalismo anterior convivia muito bem sem os turistas e mantendo niveis de desigualdade. Como irmos além do turista? Me parece que a resposta normalizadora vai aprisionar a existencia. É como falar que em vez de termos Orkut, facebook e twiiter deveriamos escolher apenas UM para expressar nossa individualidade como se fazia na época das cartas do século XIX! ahahhaaha
bom, essas são analises que andei pensando a partir de nossas conversas,
QUERO RESPOSTA HEIN!
bjao
gustavo