Resposta da Priscila às minhas questões:
Quanto ao meu artigo, finalmente você entendeu o que eu disse! O meu problema nunca foi a disciplina História, mas QUEM e o TIPO de história que é feito na UFF... Minha reclamação sempre foi (lembre só!): "Aquele pessoal da História é muito mofado! Não teria espaço lá!" E é fato! Alguém estuda consumo lá? Alguém (além de você e dos profs. outsiders) pensa o mundo depois da redemocratização? QUEM, lá da História, daria a cara a tapa para fazer a análise de um filme, tirando os "vagabundos" do ICHF (“vagabundo” de acordo com a metáfora do Bauman)??? QUEM??? Putz, Gustavo, ainda bem que finalmente você entendeu a minha angústia!!!
Bom, "psicografo" uma defesa para a minha resenha...
"Quando vi seu artigo me chamou a atenção que a relação que ele teve com aquela executiva passou quase despercebido. Claro, o Bauman não fala disso, mas aí é caso de chutarmos o Bauman para escanteio, não? Se não caímos numa prática muito comum na historia que é colocar teóricos embaixo do braço e olhar tudo em função deles e nada mais além. Por isso me chocou um pouco seu descompromisso com aquela relação, fundamental para o roteiro do filme. "
Sim, a questão da Alex é importante, mas já não sei se é "fundamental"... Pra mim fundamental era o conjunto (alex+natalie+desempregado+família) e isso eu contemplei. Central, no meu humilde ponto de vista, se me permite, é a discussão do estilo de vida desse homem... É engraçado perceber como certas questões tocam mais ou menos fundo nas pessoas e isso acaba influenciando na análise. É aí que vemos a tal "subjetividade" do autor agindo... Quando eu pedi para os meus alunos fazerem uma resenha sobre o filme, cada um focou no que mais tocou fundo. Nenhum trabalho foi igual ao outro apesar do filme e da bibliografia ser a mesma... Se a questão da Alex te incomodou (tanto pela falta no meu texto, quanto pela existência dessa personagem no filme) é porque existe algo na sua subjetividade que te leva a focar mais nessa questão. Sim, concordo com você, a questão da Alex é pertinente. Sim, ela também me incomodou. Mas o tema "opção de vida" do Mr. Bingham me incomodou muito mais, e Alex era apenas uma das peças que se encaixa nesse tema... Optei por falar das relações de Bingham num conjunto.
"O personagem da executiva me parece ser justamente o instante da existência que o Bauman tem dificuldade de ver: ela é o paradoxo, é a incongruente, é os dois ao mesmo tempo, não cabe na analise."
Não vejo Alex possuindo os dois estilos de vida, pois concordo com o Bauman quando ele diz que a "casa" é só mais um ponto na "escala". Quando ela se sente fatigada, ela parte. Tá lembrado que depois ela telefona para o Bingham dizendo que eles podem continuar se encontrando, mas num compromisso sem compromisso??? Isso é ser turista. Ser turista é querer a MOBILIDADE. O direito de poder escolher só o que interesse e descartar o que incomoda, entende?
Outra questão: gosto do final do filme com Mr. Bingham escolhendo o lugar a esmo e voando... Ele tentou seguir o "projeto de vida" da modernidade e não deu certo, mas ele também percebeu que o seu estilo de vida "turístico" não é tão maravilhoso quanto ele pensava... De turista para vagabundo é um pulo... Eu acho triste o final porque ele mostra que nem o "projeto de vida" nem o estilo "turístico" são ideais e por não ter uma resposta pra esse dilema, ele simplesmente continua voando porque "as suas próprias incertezas em contraponto a vida do “vagabundo” o faz acreditar que “não há nenhuma alternativa” (BAUMAN, 1998:119)".
É uma posição conformista de qualquer jeito. Ele poderia tentar outra coisa sem ser o "projeto de vida" ou a "viagem". Mas o que seria????
Tesouro, o que eu concluo do filme é: ninguém vive sem ideologia. Ninguém vive sem tentar achar um modelo de vida no mundo. Aliás, essa é uma das grandes diferenças entre os homens e os animais. Queremos sempre ser algo para além do que somos. O cachorro é cachorro. E ele se contenta em ser cachorro. Nós nunca estamos satisfeitos de sermos apenas homens, queremos ser viajantes, turistas, modernos, pós-modernos...
Pode disponibilizar o link da minha resenha no blog, apesar de não falar da Alex como você gostaria... rs =D
ME RESPONDE A PARADA DA AULA!
Beijocas!
Priscila

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